O meu percurso espiritual não começou num único lugar nem seguiu um caminho linear. Ao longo dos anos, passei por diferentes tradições afro-brasileiras e afro-gaúchas, entre elas o Candomblé e o Batuque, que tiveram um papel importante na minha formação espiritual e humana.
Essas tradições ensinaram-me fundamentos essenciais: o respeito pela hierarquia espiritual, a importância dos rituais bem feitos, o valor da disciplina, do silêncio e da responsabilidade perante os Orixás e as forças da natureza. No Candomblé e no Batuque aprendi que espiritualidade não é improviso, nem espetáculo, mas compromisso, entrega e verdade.
Cada casa, cada fundamento e cada experiência trouxeram ensinamentos diferentes. Uns confirmaram caminhos, outros mostraram limites, e alguns ensinaram-me, com o tempo, que crescer espiritualmente também significa saber quando é hora de seguir em frente. Tudo isso fez parte da minha construção.
A minha ascensão espiritual não foi feita de títulos, promessas ou imposições externas. Foi feita de vivência, observação, erros, correções e amadurecimento. Com o tempo, compreendi melhor quem sou, como trabalho e quais forças realmente caminham comigo. Essa clareza trouxe firmeza, serenidade e responsabilidade.
O que trago hoje comigo é o respeito profundo por tudo o que vivi. O Candomblé e o Batuque fazem parte da minha história e ajudaram a moldar a base espiritual que sustenta o meu trabalho atual. Nada foi perdido — tudo foi aprendizado.
A verdadeira ascensão espiritual não está em subir acima dos outros, mas em tornar-se mais consciente, mais equilibrado e mais fiel ao próprio caminho. É isso que procuro manter diariamente: humildade perante as forças espirituais e verdade perante mim mesmo.