A minha caminhada espiritual sempre esteve profundamente ligada à ancestralidade e à natureza. Antes de qualquer doutrina, nome ou caminho religioso, existe algo mais antigo: a relação do ser humano com a terra, com os elementos e com os espíritos que habitam o mundo natural.
Acredito que a ancestralidade não é apenas memória do passado, mas uma força viva que caminha connosco. Ela manifesta-se nos gestos simples, na intuição, no respeito pelos ciclos da vida e na forma como nos relacionamos com o invisível. Honrar os ancestrais é reconhecer que não começámos do zero, que trazemos histórias, dores, aprendizagens e sabedoria que atravessaram gerações.
A natureza sempre foi, para mim, um espaço de equilíbrio e ensinamento. As matas, os rios, o mar, a terra e o vento não são apenas cenários, mas forças vivas que ensinam silêncio, paciência e respeito. É na natureza que encontro clareza, descarrego o peso acumulado e volto ao essencial.
O contacto com os elementos naturais reforça a minha espiritualidade de forma simples e verdadeira, sem necessidade de excessos. Cada árvore, cada animal, cada ciclo do dia e da noite carrega um ensinamento ancestral que ultrapassa palavras.
Respeitar a natureza é respeitar a vida. É compreender que tudo tem o seu tempo, o seu ritmo e o seu lugar. Essa consciência orienta o meu trabalho espiritual e a forma como conduzo a minha casa: com firmeza, mas também com humildade.
A ancestralidade e a natureza caminham juntas. Uma guarda a memória, a outra sustenta a vida. É nesse equilíbrio que encontro sentido, força e direção no meu caminho espiritual.